Conferência debate políticas de diversidade e inclusão no mercado de trabalho

Evento virtual contou com palestra e mesas temáticas apresentadas por economistas e especialistas

28.03.2025 | BRASÍLIA (DF) O Ministério Público do Trabalho (MPT) promoveu, na última terça-feira (25), a "V Conferência de Gênero, Raça e Diversidade: Economia e Trabalho". O evento virtual contou com palestra e mesas temáticas apresentadas por economistas e especialistas que debateram a importância das políticas de diversidade e inclusão para o mercado de trabalho.

Na abertura da conferência, o procurador-geral do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira, afirmou que políticas de diversidade e inclusão são mecanismos de reparação histórica, motores de inovação, de crescimento e de sustentabilidade econômica. “Além de fiscalizar e promover direitos, nossa instituição fomenta transformações e tem consciência de que não existe desenvolvimento pleno em uma economia que exclui, discrimina ou ignora a pluralidade da sociedade. O trabalho digno não pode ser privilégio de poucos, mas um direito de todos. E por acreditar nessa premissa, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um mercado de trabalho mais inclusivo, equitativo e respeitoso para todas as pessoas”, afirmou.

A vice-procuradora-geral do Trabalho, Maria Aparecida Gugel, destacou o tema da conferência deste ano e a importância do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8 da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a promoção do crescimento econômico sustentável, o emprego pleno e o trabalho decente para todas e todos. “Promover a diversidade é essencial não apenas para a justiça social, mas para o crescimento econômico sustentável. Precisamos enxergar e perceber que empresas que adotam a diversidade são mais inovadoras, criativas e resilientes às mudanças do mercado brasileiro”, afirmou Gugel.

A coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Danielle Olivares Corrêa, destacou que a quinta edição do evento discute temas importantes, especialmente nesse momento histórico em que discursos conservadores atacam políticas públicas e de empresa para a redução das desigualdades sociais.

“Essa discussão nesse momento histórico é muito relevante porque novamente estamos imersos a discursos e argumentos políticos ultraliberais que defendem a qualquer custo a meritocracia, atacam práticas inclusivas, não reconhecem a diversidade existente na sociedade, desconstruindo políticas de equidade e árduas conquistas de grupos vulneráveis e minoritários”, disse Danielle, acrescentando: “Vemos um movimento de retrocesso corporativo com grandes empresas, cortando programas de diversidade, demitindo equipes que trabalham nessa área e atualmente com o fim da chamada política de diversidade, equidade e inclusão norte-americana, apoiada infelizmente pela própria justiça daquele país, o cenário tende a piorar, repercutindo nas empresas multinacionais instaladas no Brasil e influenciando outras empresas sediadas aqui.”

MPT em Quadrinhos

Durante a abertura, a coordenadora do Grupo de Trabalho Gênero e Cuidado (GT), a procuradora do Trabalho Fernanda Barbosa, falou sobre as HQs MPT em Quadrinhos, que trazem temáticas importantes sobre a diversidade e o mercado de trabalho e sobre a valorização do trabalho doméstico remunerado ou não.

Acesse abaixo as novas edições da HQ:

MPT em Quadrinhos 80 – Igualdade Salarial

MPT em Quadrinhos 81 – Cuidar de Quem Cuida!!! Trabalho, Gênero e Cuidados

A coordenadora do GT também anunciou o lançamento do Clube de Leitura Trabalho, Gênero e Cuidado, que fará encontros mensais para debater obras sobre o tema. O primeiro encontro será no dia 30 de abril, com conversa sobre o livro Aurora, o despertar da mulher exausta, da escritora Marcela Ceribelli.

Autoridades

A mesa de abertura da conferência contou com a participação da ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Miranda; o corregedor nacional do MPT, conselheiro Ângelo Fabiano Farias da Costa; a diretora de Segurança de Trabalho e Renda da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Neuza Tito; o ouvidor do MPT, André Spies; o coordenador da Câmara de Coordenação e Revisão do MPT, o subprocurador-geral do Trabalho André Lacerda; a presidenta da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Luciana Paula Conforti; o vice-presidente da Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista (ABRAT), André Luiz Queiroz Sturaro; e a presidenta da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), Adriana Augusta de Moura Souza.

Aula Inaugural e Mesas Temáticas

A palestra inaugural da professora e pesquisadora do Cesit-Unicamp Marilane Teixeira trouxe temas como a invisibilização do papel da mulher no mercado de trabalho ao longo da história, a penalização da maternidade e a divisão sexual do trabalho.

Na primeira mesa temática, a cofundadora da plataforma Transempregos Maite Schneider abordou a empregabilidade da população transgênero, dificuldades, desafios e superação. O debate também contou com a subsecretária de estatística e estudos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, que apresentou dados estatísticos sobre os relatórios de transparência salarial, evidenciando a desigualdade salarial da mulher, especialmente da mulher negra. A mediação foi realizada pela procuradora do Trabalho Polyana de Fátima França.

A segunda mesa temática teve a participação da advogada e integrante do Geledés Instituto da Mulher Negra Raphaella Reis de Oliveira, e da professora da FGV Alessandra Benedito. As participantes trataram sobre racismo nas relações de trabalho, seu custo para economia, o desperdício de talentos, a discriminação da mulher negra nas relações de trabalho, o enfrentamento à discriminação racial pelas empresas, gestão, políticas empresariais antirracistas e ações afirmativas. A procuradora do Trabalho Elisiane Santos fez a mediação da mesa.

Na terceira mesa temática, o mestre em gestão de projetos e análise de dados Júlio Diógenes e a atriz e consultora do Grupo Talento Incluir Tábata Contri falaram sobre as dificuldades que as pessoas com deficiência encontram no mercado de trabalho, desafios e barreiras a serem superadas para a promoção da inclusão e cumprimento da cota. A mediadora da mesa foi a procuradora do Trabalho Fernanda Barbosa.

A conferência foi encerrada pela vice-coordenadora nacional da Coordigualdade, Fernanda Barreto Naves, que citou estudos que mostram os impactos positivos da promoção da diversidade no trabalho. “É necessária, portanto, uma mudança de cultura, de modo a efetivamente eliminar o preconceito, fortalecendo a solidariedade social, a tolerância e o respeito às diferenças, e, assim, concretizando o mandamento da nossa Constituição no sentido de construção de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.”

Assista ao evento no Youtube.

*Com informações da PGT 

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