MPT-MT prestigia a premiação do concurso audiovisual “Alternativas para Rondonópolis – Saberes Ancestrais”

03.06.2025 | RONDONÓPOLIS O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) prestigiou, no fim de maio, a cerimônia de premiação do concurso audiovisual Alternativas para Rondonópolis – Saberes Ancestrais, iniciativa do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas - Neabi Quilombo, ligado à Associação Araxá. O projeto é vinculado ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e desenvolvido em parceria com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), por meio da Promotoria do Meio Ambiente de Paranatinga.

O evento ocorreu na Casa dos Nossos Negros, em Rondonópolis, a 214 km de Cuiabá, e contou com a presença do procurador do Trabalho Pedro Henrique Godinho Faccioli, coordenador substituto da Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Rondonópolis e vice-coordenador regional da Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade).

O projeto, coordenado pela professora do Departamento de História da UFR, integrante do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e coordenadora do Neabi Quilombo e do Movimento Negro Unificado de Rondonópolis (MNU), Priscila de Oliveira Xavier Scudder, objetivou incentivar os(as) jovens dos povos tradicionais a refletirem criticamente sobre as práticas de preservação dos territórios tradicionais, considerando a forma como esses espaços são mantidos e o respeito ao direito de bem-viver de todos os seres que os habitam, a fim de encontrar soluções para os problemas socioambientais da cidade.

Intelectuais negros(as) e indígenas, reconhecidos(as) nacional e internacionalmente, ministraram oficinas sobre a temática do evento, as quais possibilitaram profundos debates acerca de temas como racismo ambiental, a importância das tecnologias africanas para a formação do Brasil, a produção audiovisual e o papel de processos educativos que respeitem as Leis 10.639/03 e Lei n. 11.645/08, sobre as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", para a valorização dos saberes das religiões afro-brasileiras e o combate ao racismo.



Na ocasião, Faccioli falou sobre a necessidade de conscientização sobre o racismo religioso, que é parte do racismo estrutural existente no Brasil, que se manifesta também nas relações de trabalho. “É essencial apoiar projetos como esse, que buscam enaltecer religiões de matriz africana, que sofrem tanto estigma em nosso país. Nessa temática, o Ministério Público do Trabalho atua contra o racismo e a intolerância religiosa no mundo do trabalho. Os empregadores precisam adotar medidas concretas para que a discriminação não ocorra em nenhum momento, inclusive criando canal de denúncias e fazendo campanhas periódicas de conscientização. Independentemente da etnia ou da religião professada, a pessoa deve ter garantidas iguais oportunidades de inserção, manutenção e ascensão no mercado de trabalho. E nesse contexto não podemos deixar de valorizar a sabedoria ancestral das culturas afro-brasileiras, a qual também se reflete nos trabalhos tradicionais."

Para Scudder, a participação do MPT no evento reforça o compromisso institucional com a valorização dos saberes ancestrais e a promoção da diversidade cultural: “A presença do procurador destaca a importância de iniciativas de projetos que ampliem vozes e os saberes tradicionais e fomentem reflexões sociais. Um apoio essencial para projetos que unem cultura, educação e justiça social”.

Presenças

A programação contou com a presença de várias autoridades, como os representantes da Casa dos Nossos Negros (Ylê Awa Dwdw) Gílson Sousa Ferreira e Ekedi Cecília dos Santos; o representante da Casa de Caridade São João Batista Dalton Vítor; o representante da Casa de Candomblé Ketu e membro suplente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Rondonópolis, Adriano Dias Garcia, e o representante do Nzo Mulengue d’Matamba e vice-presidente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Rondonópolis, Cairo Santos; e a sacerdotisa do Ilê de Umbanda de Omolokô e Vó Maria Conga, Denilda Lima de Jesus; a representante da yamorô do Ilê Asè Ojú Odé, Silvéria; e as yalorixás Gilcilene dos Santos Ferreira e Sueli Cristina Miranda Durigão.

Participaram do evento, ainda, a vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, Bruna Farias Bellafronte; o secretário da Comissão de Igualdade Racial da 1ª Subseção da OAB de Rondonópolis, Renan Caldas Martins; o presidente do Centro Acadêmico de História da UFR, João Fenili; o professor e liderança do Povo Boe do Meruri, Adriano Boro Makuda; o coordenador do curso de Direito da UFR, Anderson Nogueira Oliveira; o diretor-adjunto do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da UFR, Agameton Ramsés Justino; o representante dos estudantes estrangeiros da África e da Ásia, Domingos Futana; e a presidenta emérita da Associação da Diversidade, Kamilly Barbosa.

Estudantes universitários(as) e a Juventude dos Territórios Tradicionais também lotaram a Casa dos Nossos Negros para acompanhar a premiação.

Assessoria de Comunicação ∣ MPT-MT
Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso
65 3613.9100 ∣ www.prt23.mpt.mp.br
Instagram @mptmatogrosso ∣ X (antigo Twitter) @MPT_MT
Facebook MPTemMatoGrosso

Imprimir