Exposição virtual relembra Chacina de Unaí e reforça combate ao trabalho escravo

Peças e textos foram produzidos pela equipe do Memorial e pela Secretaria de Comunicação Social do MPT

06.05.2026 | BRASÍLIA (DF) O Ministério Público do Trabalho (MPT) lança, nesta quarta-feira, 6 de maio, a exposição virtual Chacina de Unaí – Um marco na luta contra o trabalho escravo. Em formato on-line, a exposição tem por objetivo resgatar a memória e conscientizar sobre um dos episódios mais emblemáticos da história recente da fiscalização trabalhista no Brasil.

Produzida pela equipe do Memorial e da Secretaria de Comunicação Social do MPT, a mostra apresenta uma narrativa histórica que resgata o contexto social, os acontecimentos e os desdobramentos da chacina ocorrida em 28 de janeiro de 2004, no município de Unaí (MG), quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante uma operação de fiscalização.

"O memorial do Ministério Público do Trabalho não poderia deixar de registrar fatos tão marcantes, que impactaram e, principalmente, impulsionaram o combate a essa forma de trabalho degradante em nosso país, o trabalho escravo contemporâneo.", disse a presidente da Comissão Permanente de Avaliação de Documentos e Memória do MPT, subprocuradora-geral do Trabalho Heloísa Heloisa Pires.

Memória, justiça e conscientização

A exposição reúne documentos, imagens, objetos e uma linha do tempo que percorre o avanço das fiscalizações contra o trabalho escravo contemporâneo, ainda nos anos 1990, e as transformações institucionais e legais posteriores ao crime. O conteúdo destaca o papel dos servidores assassinados — Nelson José da Silva, João Batista Soares Lage, Eratóstenes de Almeida Gonçalves e o motorista Ailton Pereira de Oliveira —, cujas trajetórias são apresentadas como símbolos de compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas e da dignidade humana.

Além de reconstituir os fatos que levaram à emboscada e os detalhes da investigação e do julgamento, a mostra também evidencia o impacto do episódio na atuação do Estado brasileiro. Entre os avanços apontados, estão o fortalecimento das operações de fiscalização, maior integração entre instituições públicas e o uso de tecnologias no combate ao trabalho análogo à escravidão.

A chacina de Unaí marcou uma inflexão nas políticas públicas voltadas ao enfrentamento da exploração laboral. Desde então, houve aumento expressivo no número de operações de combate ao trabalho escravo — que cresceram quase 700% entre 2003 e 2023 — e maior rigor na aplicação da legislação, especialmente após a ampliação do conceito de trabalho análogo à escravidão no Código Penal. A data de 28 de janeiro passou a ser reconhecida como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, reforçando a importância da memória como instrumento de transformação social.

Convite à reflexão

Além de preservar a memória das vítimas, a exposição quer provocar reflexão sobre os desafios ainda existentes para a erradicação do trabalho escravo contemporâneo. A iniciativa convida o público a compreender o legado deixado pela tragédia e a importância da atuação contínua das instituições na proteção dos direitos humanos.

A mostra estará disponível em ambiente virtual, permitindo acesso amplo ao público e reforçando o compromisso do MPT com a educação, a memória institucional e a promoção de uma sociedade mais justa.

*Com informações da PGT

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