
Do resgate do trabalho escravo à autonomia: MPT em Mato Grosso acompanha visita de instituições parceiras ao Projeto Ação Integrada
Como integrante da coordenação do projeto, MPT acompanhou agenda na Fazenda Experimental da UFMT, onde são desenvolvidas ações de qualificação profissional e reconstrução de trajetórias de trabalhadores
19.09.2026 | CUIABÁ O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) acompanhou, em 4 de setembro, a visita de instituições parceiras à Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Santo Antônio de Leverger, a 35 km de Cuiabá, onde são desenvolvidas atividades do Projeto Ação Integrada (PAI-MT). Representaram o MPT-MT a procuradora-chefe, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, e o procurador do Trabalho Danilo Nunes Vasconcelos.
Em 3 pontos:
- MPT-MT acompanhou a visita de instituições parceiras à Fazenda Experimental da UFMT, em Santo Antônio de Leverger, onde são desenvolvidas ações do Projeto Ação Integrada
- A agenda reuniu representantes de diversas instituições do país, com apresentação sobre o projeto e diálogo sobre estratégias de enfrentamento ao trabalho escravo
- Atuação integrada já resultou em mais de 4,5 mil iniciativas, 3 mil atendimentos e mil trabalhadores qualificados
O encontro reuniu autoridades do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), além de representantes do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo (PETE), para acompanhar as ações de formação e qualificação profissional desenvolvidas no local.
A agenda permitiu às instituições parceiras acompanhar de perto as ações desenvolvidas pelo PAI-MT e conhecer a realidade dos trabalhadores atendidos pela iniciativa. Criado em 2009, o projeto já soma mais de 4,5 mil iniciativas, mais de 3 mil atendimentos e mais de mil trabalhadores qualificados. As ações combinam qualificação profissional, formação cidadã e inclusão socioeconômica, contribuindo para a construção de novas trajetórias após o resgate de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e para a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Da abertura ao contato com os trabalhadores
A programação teve início com uma apresentação sobre o Projeto Ação Integrada, com a participação dos membros do MPT-MT; da auditora-fiscal do Trabalho (AFT) Flora Regina Camargos Pereira; dos agentes de ação social do PAI-MT Pablo Friedrich Dias Pereira de Oliveira e Carlos Alexandre; e das professoras da UFMT Kelly Pellizari e Carla Reita Faria Leal. Durante a apresentação, os participantes compartilharam informações sobre a trajetória, a estrutura e as estratégias desenvolvidas pelo projeto para qualificação profissional, inclusão socioeconômica e prevenção do trabalho escravo contemporâneo.
Na sequência, Pellizari conduziu a comitiva pelas instalações da Fazenda Experimental, apresentando os espaços e as atividades desenvolvidas no local. Ao longo da visita, os participantes conheceram as ações realizadas pelo projeto, conversaram com trabalhadores atendidos pela iniciativa e acompanharam de perto a rotina de formação e qualificação. Ao final, compartilharam um café da tarde preparado pelos próprios trabalhadores.
Para Zaffani, a experiência permite compreender de forma concreta uma dimensão fundamental do enfrentamento ao trabalho escravo.
“O combate ao trabalho escravo não termina no resgate. Precisamos garantir que o trabalhador tenha oportunidades concretas para reconstruir sua trajetória, com qualificação, autonomia e acesso a um trabalho digno. O Ação Integrada traduz essa perspectiva e mostra a força da atuação conjunta entre as instituições.”
Vasconcelos, por sua vez, destacou a importância da qualificação como instrumento de prevenção.
“A qualificação profissional é uma ferramenta fundamental para romper ciclos de vulnerabilidade. Quando diferentes instituições atuam juntas para ampliar as oportunidades dos trabalhadores, o enfrentamento ao trabalho escravo ganha uma dimensão preventiva e transformadora.”
Depois do resgate
Criado em Mato Grosso a partir da articulação entre MPT, MTE e UFMT, o PAI-MT parte da compreensão de que o resgate é apenas uma etapa do enfrentamento ao trabalho escravo. A iniciativa busca enfrentar vulnerabilidades sociais e econômicas que podem contribuir para a reincidência e criar condições para a reinserção dos trabalhadores em atividades protegidas e dignas.
Entre as estratégias estão a qualificação profissional, formação cidadã, acesso a direitos, elevação da escolaridade e ampliação das oportunidades de trabalho e renda. O modelo combina acompanhamento e articulação entre diferentes instituições para atuar sobre as causas que tornam trabalhadores mais suscetíveis à exploração.
A experiência desenvolvida em Mato Grosso já produziu resultados concretos. A Fazenda Experimental da UFMT, por exemplo, recebeu cursos destinados a trabalhadores egressos do trabalho escravo, como a formação de Operador de Máquinas e Implementos Agrícolas, realizada no local pelo Ação Integrada.
A própria UFMT mantém atualmente projeto de pesquisa e extensão denominado “Ação Integrada-MT: Interfaces com a Política Social”, coordenado por Pellizari, com foco na proteção e reintegração de trabalhadores resgatados e na superação de vulnerabilidades sociais.
Qualificação para romper ciclos de exploração
A atuação do Ação Integrada procura responder a um dos principais desafios do combate ao trabalho escravo: evitar que trabalhadores submetidos a situações de exploração voltem a enfrentar condições semelhantes depois do resgate.
Ao combinar formação profissional, acesso a direitos e oportunidades de inserção no mercado de trabalho, o projeto busca ampliar a autonomia dos trabalhadores e reduzir fatores associados à vulnerabilidade. A experiência mato-grossense foi identificada pelo CNJ como uma iniciativa capaz de contribuir para a prevenção da reincidência justamente por articular qualificação, inserção profissional e acompanhamento dos trabalhadores.
A trajetória do projeto inclui ainda ações voltadas à formação de jovens em situação de vulnerabilidade. Em uma das iniciativas, participantes tiveram formação teórica na Fazenda Experimental da UFMT e desenvolveram a parte prática em fazendas de empresas contratantes, com posterior inserção profissional de parte dos estudantes.
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mais de 4,5 mil iniciativas, mais de 3 mil atendimentos e mais de mil trabalhadores qualificados





























